Os investigadores da Universidade Nova de Lisboa, Paula Gonçalves e José Paulo Sampaio, em conjunto com uma equipa de investigadores americanos, descobriram numa levedura muito parecida com a vulgar levedura de padeiro, um novo e complexo tipo de variação genética.
Esta descoberta, publicada hoje na revista Nature, poderá ajudar a explicar porque é que algumas espécies mantêm níveis elevados de diversidade genética entre indivíduos, o que pode contribuir para uma adaptação mais rápida a novas situações ambientais.
De um modo geral os organismos que pertencem à mesma espécie têm um património genético idêntico. Isto acontece porque a selecção natural favorece normalmente uma única versão de cada gene. Porém, nalguns casos pode acontecer que versões radicalmente diferentes de um dado gene sejam mantidas por ambas poderem ser vantajosas. Nestes casos não existe uma única versão óptima do gene, mas sim duas versões alternativas que são seleccionadas em duas populações diferentes da mesma espécie.
Os dois investigadores da Universidade Nova de Lisboa, começaram por desenvolver um novo método para isolar da natureza estas leveduras, o que conduziu à descoberta em Portugal de uma população de uma espécie até agora apenas encontrada no Japão. Quando compararam as características dos isolados Portugueses com os Japoneses, os investigadores aperceberam-se que a população Japonesa era incapaz de assimilar a galactose (açúcar comum em frutas e vegetais) e que no seu genoma os seis genes necessários para esta função estavam completamente “destruídos”. Ao passo que a população portuguesa da mesma espécie possui todos os genes intactos e é perfeitamente capaz de utilizar a galactose.
Seguiu-se a caracterização do genoma completo de todos os indivíduos da espécie em colaboração com investigadores americanos, que demonstrou sem margem para dúvidas que se tratava de uma variação dentro da espécie e que a selecção natural pode favorecer em alternativa as duas versões, dependendo das condições do meio ambiente. A grande novidade deste caso reside no facto de envolver a selecção em simultâneo de seis genes localizados em cromossomas diferentes, permitindo inferir que a selecção natural opera de forma mais poderosa e mais complexa do que até aqui se assumia.
Espera-se que esta descoberta possa abrir caminho para perceber melhor as variações genéticas e capacidade de adaptação de agentes patogénicos para o Homem, tais com os agentes causadores da malária ou da doença do sono, podendo assim contribuir para o combate a estas doenças.
Fonte: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa